Empreender para ser mais num mundo cada vez de menos

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O homem é ousado e inovador por natureza. Não se resigna como as coisas são postas ante seus olhos. Ele modifica-as. Nesse seu modo particular de compreender o mundo ao redor, o construir e o produzir são imperativos de ordem superior, pois para ele “o habitar não precede o construir”. Para sobreviver, necessita usar de sua força e raciocínio no sentido da geração de bens e conceitos que o preservem e o deixem tranquilo. Sem ação, a vida humana seria incompatível com ela mesma, porque viver é agir através do tempo.

Verdade absoluta. No entanto, o processo de acomodação trazido pela modernidade em virtude das tecnologias que melhoraram completamente seus hábitos e maneiras de enfrentar as adversidades, tem-no envolvido numa paralisia apática e, por isso, doentia. Mesmo entre os jovens, de ordinário, é comum a percepção do desânimo, da falta de iniciativa e criatividade. Andam se arrastando, resmungando a tudo e a todos e, pior, impacientes, intolerantes, sem, enfim, a serenidade e a paciência de mentes saudáveis em corpos sãos.   

A postura e visão criadora do passado parece ter cedido lugar para a repetição servil, sem questionamento, sem reflexão, imita-se porque não exige maiores esforços, embora sabendo que os resultados não serão muito bons. Mas, e daí? Não é o que todo mundo faz e se dar bem? Por que serei eu a reinventar a roda? 

Quem põe a habilidade de reinventar para fora tem conseguido um diferencial inquestionável na vida pessoal e profissional. Diferenciar-se dos demais, com uma postura-tentativa de solucionar os problemas que afetam o singular e o plural ou promover soluções possíveis para eles, trazendo, com isso, qualidade de vida, é o perfil do cobiçado homem empreendedor. Na mente dele, o comodismo, a falta de imaginação e criatividade não encontram terreno para germinar.  Ele vive o novo. Por este não se cansa de pesquisar, de idealizar, de sonhar mudanças para uma vida melhor. É preciso sonhar e buscar incessantemente a sua realização.

A realidade que se nos apresenta é esta: um futuro em que homens e mulheres, crianças, jovens e velhos se mantenham – o verbo é manter-se – criativos, imaginativos, com uma atitude positiva diante das adversidades. Essas qualidades são, já nos nossos dias, alavanca para o sucesso e a permanência no mercado de trabalho.

Assim, empreendedor é sinônimo de alguém que adota e traz para si mesmo(a) uma visão de responsabilidade, de determinação e de objetivos específicos, sempre alicerçados na realidade e viabilidade. Objetivos reais são viáveis. São possíveis. Empreendedor não é aquele que vive sonhando com base na fantasia. Ao contrário, o seu chão é constantemente repensado, analisado. Ele anda no concreto, e sua meta é do abstrato gerar o concreto para o seu e para o bem dos outros. Ele é realista, prático, engenhoso, ambicioso, assume riscos, testa possibilidades.  

O desafio para a educação atual é gerar alunos empreededores. Mas isso impõe invariavelmente que ela também seja empreededora. Nesse intuito, quem faz educação deve reformular sua prática, adaptá-la a fim de que mais que transmitir  conteúdos, oportunize aos alunos a criação de seu próprio conhecimento com o estímulo adequado, com a orientação indispensável do educador, contudo, o aluno deve sentir que depende dele crescer no conhecimento e sabedoria. Apenas aquele que constroi, terá espaço no mercado competitivo contemporâneo. Além disso, é uma atitude natural, sair do comodismo de encontrar feito e partir para a reconstrução, reinventar, melhorar. Não inventar a roda, mas melhorá-la, adaptá-la com engenho para as realidades que precisam dela e ainda não a tem como ferramenta de mudança.

O cientista é curioso, quer sempre saber mais e mais para pensar melhoramentos, soluções para problemas. Pense como um problema resolvido traz satisfação! É essa percepção que tem o empreendedor. Mas que problemas focalizar? Em primeiro lugar, ele pode refletir sobre aqueles que ele mesmo enfrenta no seu meio. Pequenas, médias, grandes dificuldades que, como ele, outros do seu tempo e espaço enfrentam. Das soluções humildes vêm as soluções mais arrojadas, mais englobadoras, mais amplas. É um processo que, como tal, deve crescer do menor para maiores níveis de complexidade.

Ana Maria Martins De Sousa, psicóloga e estudiosa do tema em empresas e instituições educacionais, afirma que ” uma pessoa empreendedora é aquela cujas ações interferem na vida de outras pessoas”. E esta pessoa é responsável, comprometida com sua realidade, ágil, sem tempo a perder. Tempo é sagrado, utilizado sem desperdício para a geração de soluções. Ela se compromete. Então, respira inovação, mudança. Anseia por melhorias para si e para os outros. Esse é seu pensamento a todo momento.

O desafio é, enfim, gigante, contudo real e, por isso, viável. Criar uma nova cultura e desta uma nova realidade. Em todos os setores, especificamente,  no que diz respeito à nossa prática como educador, ou seja, a educação, urge pessoas, gestores, professores e alunos que desejem essa visão e postura. Assumam responsabilidades e construam pioneiramente sua história e a dos outros. É um desafio. E acreditamos nele.

Quem é empreendedor:

  • Tem iniciativa e busca oportunidades
  • É persistente
  • Assume riscos
  • Estabelece metas
  • Planeja sistematicamente
  • Desenvolve rede de contatos
  • É independente e autoconfiante

             Leônidas Coe – educador e professor de língua portuguesa

              Colégio O Bom Pastor – São Luís – MA